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Publicada em: 12/04/2017 | 229 Visualizações
Seca deixa 52% dos municípios da Bahia em situação de emergência
Dos 417 municípios baianos, 214 se encontram em situação de emergência por conta da seca. Ou seja, mais da metade (cerca de 52%) das cidades do estado. Os dados são da Superintendência de Proteção e Defesa Civil do Estado da Bahia (Sudec), atualizados nesta segunda-feira, 27.
Entre os municípios atingidos pela estiagem está o de Manoel Vitorino, distante a 103 km Salvador. Moradores daquela localidade têm enfrentado grandes dificuldades na lavoura e na criação de gado.

Para o lavrador e morador da cidade, senhor Antonio Galdino de Souza, de 58 anos, que vive com a esposa e mais dois filhos em Manoel Vitorino, há mais de 15 anos, ver sua lavoura e a seu pouco gado morrerem por falta d’água é um sofrimento constante.
“As plantações e as criações de gado são nossas fontes de renda, nosso meio de sobrevivência. É muito sofrimento ter que conviver com essa situação. Isso aqui é a nossa vida. Nós precisamos de chuva, nós precisamos de ajuda”, apela Galdino.
Ao relatar os transtornos que já passou nesses 15 anos na região, o lavrador considerou o ano de 2016 o pior de todos os anos em relação a falta de chuva . “Moro aqui desde 1º de julho de 1981, e já passei por muitas secas nessa vida, mas pra mim, o ano passado (2016) foi o pior de todos eles. Tivemos chuva no mês de janeiro, depois disso, só veio chover em novembro e mesmo assim em pouca quantidade”, disse.
Rio de Contas
A 200 metros da casa de Antonio está localizado o rio de Contas. E, da pouca água que ainda sobra desse rio, ele e outras famílias aproveitam para tomar banho, cozinhar, lavar. Mas, assim como as plantações e os gados, o rio também vem sendo atingido pela seca, causando mais aflição para as famílias que têm nele uma fonte de sobrevivência.
“Peço a Deus que mande chuva, porque, se esse rio secar, será mais um sofrimento para nós. A vida de quem mora na zona rural não é fácil”, contou o morador de Manoel Vitorino.
Ele ainda lamentou a situação de desperdício da água por parte da população. “O que mais me dói é saber que enquanto estamos sofrendo por falta d’água, muitas pessoas por aí usam a água como se ela fosse uma fonte que nunca vai acabar. Se elas soubessem o quanto é doloroso viver nessa escassez, talvez elas se conscientizassem sobre a necessidade de preservar esse bem tão precioso”, disse Antônio.
Cisternas
Segundo a Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social, até o final de abril serão entregues ao município 298 cisternas com o acompanhamento e orientações às famílias sobre o uso racional de água.
Essas famílias serão capacitadas, ainda de acordo com informações do órgão, com ajuda de técnicos habilitados a construir esses equipamentos.
*Jornal A Tarde
*Foto: Vem Ver Cidade